O climatério é uma fase natural da vida da mulher, marcada por mudanças hormonais que indicam a transição do período reprodutivo para o não reprodutivo. Essa etapa pode começar por volta dos 40 anos, mas o início e a intensidade dos sintomas variam de pessoa para pessoa.
Mais do que um marcador biológico, o climatério é também um processo emocional e social. O corpo se transforma – e com ele, a forma de sentir, pensar e se relacionar consigo mesma. Compreender o que acontece é o primeiro passo para atravessar essa fase com mais tranquilidade e qualidade de vida.
O que muda no corpo durante o climatério
A queda gradual dos hormônios estrogênio e progesterona altera diversas funções do organismo. É comum observar:
- Ondas de calor e suores noturnos
- Alterações no sono
- Diminuição da libido
- Secura vaginal
- Mudanças de humor
- Ganho de peso e redistribuição da gordura corporal
- Redução da massa óssea e muscular
Esses sintomas não significam que a mulher “está doente”, mas que o corpo está se reorganizando. Buscar acompanhamento médico é essencial para diferenciar o que faz parte do processo natural e o que precisa de atenção clínica.
Reposição hormonal: quando é indicada
A Terapia de Reposição Hormonal (TRH) é uma das opções mais estudadas para aliviar os sintomas do climatério. Porém, não é indicada para todas as mulheres. A avaliação deve ser individualizada, considerando histórico familiar, cardiovascular e ginecológico. Em muitos casos, pequenas doses de hormônios podem ajudar a restabelecer o equilíbrio, desde que com acompanhamento médico contínuo.
Cuidados que fazem diferença
Além da terapia hormonal, outras atitudes têm grande impacto na qualidade de vida:
- Alimentação balanceada – Prefira alimentos ricos em cálcio, magnésio e vitamina D, importantes para a saúde óssea.
- Atividade física regular – Caminhadas, musculação ou yoga ajudam no controle de peso e na liberação de endorfinas, que melhoram o humor.
- Sono de qualidade – Estabeleça uma rotina de descanso e evite o uso de telas antes de dormir.
- Apoio emocional – Conversar com profissionais de saúde mental pode ser libertador. O climatério não deve ser vivido em silêncio.
- Cuidado com a pele e mucosas – Hidratação e acompanhamento dermatológico e ginecológico ajudam a reduzir desconfortos.
A importância do acompanhamento multidisciplinar
O climatério exige olhar integral. Médicos ginecologistas, endocrinologistas, nutricionistas e psicólogos podem atuar em conjunto para promover o equilíbrio físico e emocional da mulher.
Cuidar de si nesse período não é vaidade, é autoconhecimento e prevenção. O climatério pode ser uma fase de plenitude, marcada por escolhas mais conscientes e um novo tipo de liberdade.
Dra Flávia Andrioli
Médica Ginecologista e Obstetra
Hospital Municipal Hideo Sakuno
Juina – MT
Sob gestão do São Lucas


