Trajetórias negras que transformaram a saúde

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O projeto “Histórias que Abriram Caminhos” homenageia personalidades negras da medicina, da ciência e do cuidado, destaca a contribuição negra para a saúde e outras áreas do conhecimento e está em exposição nas unidades geridas pelo Instituto São Lucas em Mato Grosso e São Paulo. 

Juliano Moreira (1873–1933)

Médico e psiquiatra

Pioneiro da psiquiatria brasileira, Juliano Moreira se opôs a teorias racistas que atribuíam à raça as causas de doenças mentais. Defendeu mudanças na assistência psiquiátrica, com mais dignidade para as pessoas internadas.

Maria Odília Teixeira (1884–1970)

Médica e professora

Formada em Medicina pela Faculdade de Medicina da Bahia, em 1909, Maria Odília Teixeira foi uma das primeiras mulheres negras a se formar na área no Brasil. Sua trajetória abriu caminhos para a presença de mulheres negras na medicina e no ensino superior.

Dona Ivone Lara (1922–2018)

Enfermeira, assistente social e sambista

Dedicou décadas à saúde mental e defendeu um cuidado mais humanizado. Na música, tornou-se a primeira mulher a assinar um samba-enredo e a integrar a ala de compositores de uma escola de samba.

Virgínia Leone Bicudo (1910–2003)

Socióloga e psicanalista

Pioneira nos estudos das relações raciais no Brasil, pesquisou os efeitos do preconceito e do racismo na vida social. Foi também a primeira pessoa não médica reconhecida como psicanalista no país e contribuiu para a difusão da psicanálise.

Jaqueline Góes de Jesus (1989–)

Biomédica e cientista

Integrou a equipe que sequenciou os primeiros genomas do novo coronavírus no Brasil, em 2020. O trabalho foi concluído em cerca de 48 horas e contribuiu para a vigilância genômica do vírus.

Fátima Oliveira (1954–2017)

Médica, pesquisadora e pensadora ativista

Defendeu o SUS, os direitos sexuais e reprodutivos e a saúde das mulheres negras. Sua produção sobre bioética, saúde da população negra e desigualdades de gênero contribuiu para o pensamento feminista antirracista na saúde pública.

Jurema Werneck (1961–)

Médica e ativista dos direitos humanos

Fundadora da organização Criola, Jurema Werneck construiu uma trajetória política e intelectual dedicada à saúde da população negra, aos direitos das mulheres negras e ao enfrentamento do racismo.

 

Sônia Guimarães (1956–)

Física, professora e pesquisadora

Foi a primeira mulher negra brasileira a obter doutorado em Física e a primeira mulher negra a lecionar no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). Desenvolveu uma tecnologia patenteada de sensores infravermelhos e defende maior presença de mulheres negras nas ciências exatas.